10
Fev 11

Percebo que falar da má prática jornalística - a meu ver - de um orgão de comunicação social da nossa praça pode - no olhar de terceiros - pode afastar potenciais empregadores, percebo que seja verdade.


Sei que dar opiniões que confrontam a questão de ética e dignidade do jornalismo feito por um qualquer OCS, em público, via redes sociais é, hoje em dia, um poder por vezes difícil de controlar. Na medida em que vivemos numa era em que as opiniões ganham pernas por si só e conseguem passar as quatro paredes da minha casa. A web, participativa e opinativa é uma arma de fogo, que deixa rastilho e que 'me pode queimar'.


Muito bem, foi nessa onda que surgiu uma discussão agradável nesta tarde de quinta-feira. Começou com um post no Facebook, alertando para o artigo do Correio da manhã que ostentava um título homofóbico e que não fazia jus ao corpo do texto, ou a pelo menos a metade dele, a verdadeira notícia dentro daquela notícia.


Ora bem. Uns dizem que fui aguerrida na opinião, na crítica e na exposição aberta no meu mural do FB. Outros referem que posso ter ali um bom motivo para fugirem a sete pés, aquando de uma oportunidade de emprego na área do jornalismo. Para mim, aceito essas opiniões, concordo até. E refiro mais: não apago nada do que disse, sei o que disse e reitero cada palavra!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sou jovem em idade, jovem na prática de redacção e rotina jornalística - no fazer parte dela no dia-à-dia e obtendo dela um ordenado. Infelizmente não estou empregada e, a ver de alguns, com esta minha opinião sempre acérrima, dificilmente conseguirei um lugarzinho num ambiente 24/24 e de mãos 'meio sujas' do ainda papel dos jornais.

 

Mas de que me serve defender o jornalismo e a sua génese, a sua verdade, isenção, prática correcta e sem rótulos, se o resto da máquina produtiva 'abana rabinhos e deita a língua de fora', ao que tem de ser dito e mostrado, mesmo que vá contra os princípios básicos e éticos da prática?


Eu sei que posso estar a ser muito redundante ou pior, muito sonhadora. Exagerada até. Mas porque será que me acham utópica quando refiro que o jornalismo deve ser dignificado em cada título exposto, a cada assunto abordado, a cada notícia em larga ou pequena escala? Este exemplo do Correio da Manhã é um exemplo simples ao qual me apeteceu tecer ideias e lançar umas achas para a fogueira que são as redes sociais através da minha própria rede.


Se calhar sou mesmo tola. Podia ler, comer e calar, não tecer qualquer opinião, não dar de mão beijada lenha para me queimar e, acima de tudo, piar fininho na altura de me confrontar com possíveis más práticas de OCS da nossa praça.


Mas essa não seria eu. Não me importo de não ter (já) emprego na área. Ter estado afastada ano e meio, por motivos racionais e nada emocionais, valeu-me para perceber a paixão que me move e que sei que certamente nunca me fará feliz como gostaria. Porque nenhuma sociedade está preparada para aguentar apaixonados refilões, que lutam por valores e que defendem de forma menos comum a ética a qualquer nível.


Desculpem o desabafo. Esta sou eu. Feliz desempregada, jornalista das minhas coisas!

historiado por vanessaquiterio às 17:36

Se há área onde é fundamental ter coluna vertebral é esta.
Terás dissabores com essa frontalidade, mas nada supera uma consciência tranquila.
Abraço e boa sorte,
Luís
Luís Galrão a 10 de Fevereiro de 2011 às 22:21

Eu sei Luís. Mas não me canso de ser como sou. Defendo com unhas e dentes um jornalismo que tende a não existir. Na boa, compreendo mas não aceito de ânimo tão leve assim. Um beijo. V.
vanessaquiterio a 10 de Fevereiro de 2011 às 22:25

Mas que jornalistas seriamos nós se não pudessemos comentar os títulos/notícias dos outros? Seria um contrasenso.
Fizeste bem, e tens razão. O título é completamente homofóbico e triste. Nem tem nada a ver com o teor da notícia.
Fátima a 13 de Fevereiro de 2011 às 19:45

Vanessa Quitério
pesquisar