08
Ago 10

Quando o sonho é a própria realidade, que medidas temos de tomar para distinguir o que está certo? Em que medida as memórias podem ser aprisionadas e o passado relembrado vezes sem conta? Podem as emoções controlar a racionalidade simples de um objectivo?

 

Estas foram algumas das questões que 'The Inception - A Origem' me suscitou.

 

 

 

'Uma ideia é pior que um vírus. Instala-se, germina e devasta de forma mais catastrófica que qualquer bactéria'.

 

Fiquei presa ao enredo, ao desenrolar da trama, sempre à espera de respostas aos pequenos inigmas que iam surgindo. A personagem de Cobb faz me lembrar um pouco de cada um de nós: sempre a tentar enterrar uma parte do passado, agarrados a um remorso ou simplesmente a um ideia por concretizar. A dicotomia realidade vs fantasia é algo interessante de se explorar, quando nos vemos envolvidos no filme e a não descolar de cada passo das personagens e da adrenalina contida em cada inspirar.

 

Vi o filme sozinha, numa sala com mais umas seis pessoas, numa sessão fantasma das 15h30. Valeu bem a pena, sem ter ninguém a perguntar de cinco em cinco minutos se a cena 'é realidade ou sonho'. Conheço amigos que passaram por essa tortura, e digamos que me ri. Não li quase nada antes de entrar na sala de cinema, só uma ou outra sinopse, para ter noção do assunto. E ainda bem! Devorei o filme como se de uma fome se tratasse, tentado assimilar cada movimento e construcção irreal.

 

As memórias são algo poderoso - vejam pelo caso de Cobb - corrosivas e consumíveis. Como poderia ele resolver o seu passado se não o confrontasse? Os outros, o grupo de trabalho desta implantação, estiveram à altura da missão. Reforço o gosto de voltar a ver Cillian Murphycomo, no papel de Robert Fischer. Recordei-me logo do 'Breakfast on Pluto'. Aqueles olhos azuis não enganam ninguém.

 

Confesso que tenho de ver o filme novamente, para desmotar umas coisas que não apanhei, pelo imediato de cada cena. Pelo desenrolar rápido das 'passagens de nível do sonho' e da alternância sonho/realidade desenfreada. Foi um Domingo à tarde bem investido. The Inception é decidamente um dos filmes do ano.

historiado por vanessaquiterio às 20:46
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Vanessa Quitério
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