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Dez 08


* Parte de trabalho académico sobre “Microblogging e a questão da ética nas novas formas de informação e difusão de conteúdos”. [Cadeira de Deontologia da Comunicação, ESEC, Dezembro de 2008]


“A difusão de informação por meios alternativos está, cada vez mais, a ganhar terreno perante os meios mainstream. Por esta designação de meios de comunicação mainstream estão abrangidos os meios comuns de difusão informativa, sendo eles os jornais, a rádio, a televisão e a internet.

Remontando um pouco às origens da informação, tudo começou com a necessidade do Homem comunicar com os restantes seus semelhantes já desde o aparecimento da espécie. Em três pontos essenciais da evolução comunicativa, destacamos a escrita na Grécia Antiga, o aparecimento da Imprensa com Gutenberg no ano de 1455 e a Revolução Industrial nos meados do século XVIII. Estas mudanças comparáveis, isto é, de uma crescente gradação e interligadas entre si, antecederam às tipologias modernas de comunicação a que assistimos hoje em dia.

A criação de paradigmas que desmistificam e desmontam as teorias comunicacionais foi, ao longo dos tempos, parte integrante da evolução da sociedade industrial para uma sociedade do conhecimento, em rede e digital. Suporto estas afirmações com o discurso proferido por Rosental Alves, professor na Universidade do Texas/Austin e que apresentou a comunicação “Tendências do Jornalismo para a Emergente Sociedade em Rede” no I Congresso Internacional de Jornalismo na Universidade do Porto (CCIBER) no dia 12 de Dezembro de 2008. “Assistimos neste momento à evolução do Homo Sapiens para um Homo Network” […] onde as pessoas estão a ganhar poder na rede”. Também Beth Saad, conferencista brasileira presente no Congresso explorou o impacto das ferramentas da Web 2.0 nos media sociais, referindo que “neste momento as mensagens, a produção dos conteúdos noticiosos e os seu seus consumidores estão interligados”, dando uma maior ênfase à participação consciente dos utilizadores da Web 2.0, a internet caracterizada por ser mais dinâmica e mais social.

Segundo Tim O'Reilly, fundador da O'Reilly Media e do termo Web 2.0, o conceito expressa “a mudança da internet como plataforma e para um entendimento das regras para obter sucesso. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência colectiva.”

Desde 2004, ano em que surgiu este conceito, as relações entre utilizadores e os conteúdos informativos ganharam um novo rumo e, com tudo isso, apareceram novas formas de colocar em comum as informações do mundo. Uma nova esfera apareceu. Em redes, as novas comunidades virtuais desenvolveram novos aplicativos que saciassem as necessidades de interacção e melhor potenciassem a emergente partilha em tempo real.

O feedback quase instantâneo tomou e toma uma importância determinante nos dias que correm. A blogosfera, sítio de actuação de profissionais das diversas áreas bem como de anónimos utilizadores, absorveu durante os últimos dois anos milhares de agregadores e de novos entusiastas da Web 2.0. A escala colaborativa fez com que a uma nova era surgisse, a era do receptor que também é emissor e que utiliza como moeda de troca a informação recebida e que igualmente difunde no contexto do microblogging.

Ferramentas colaborativas e de génese partilhada como os blogs, o Facebook e o Twitter são, neste momento, as fontes de mudança no panorama da informação. Utilizadores anónimos, os somente receptores de outrora, aliam-se à realidade evolutiva e integram-se nas redes comunicacionais. A Web torna-se assim uma plataforma de discussão e de constante mudança, proporcionando ainda mais colaborações.”

 

historiado por vanessaquiterio às 20:06

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Vanessa Quitério
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