07
Mar 10

Este novo 'Alice no País das Maravilha' é um filme agri-doce, a meu ver, e na mais singela opinião de uma mera apreciadora do mundo criativo de Tim Burton.


AVISO: É aconselhado a quem ainda não viu o filme a não leitura deste post. Contém partes da trama que convenientemente devem ser vistas no filme e não descortinadas num post de opinião.
 


Esta Alice que desde o início é dada como a falsa Alice, 'a que não é' ou 'que podia até ser' é uma personagem aguerrida e atirada para o fantástico mundo da Rainha Branca e da malvada Rainha Vermelha, a pequena cabeçuda, tão humana quanto nós.


Ao longo do filme fui tentando descobrir a sensação de desponta. Algo que me fizesse saltar da cadeira e entusiasmar na corrida atrás do coelho branco de colete e de 'tic-tac' despertador. O enredo é conhecido, as personagens mais que sabidas e aquele tomar chá meio enlouquecido um bom momento de riso. Mas, pelo todo que é esta película de Tim Burton, a sensação que fica é de "boa, vim ao cinema, mais um filme visto. Ponto."


Esperava não sei bem o quê. O 3D a mim não me cativa (pelo menos para já). E o imaginário irreverente do Tim Burton não desabrochou como em filmes anteriores. A marca está lá mas leve. Na minha opinião bem caracterizada na personagem do Chapeleiro Louco, de olhos verdes penetrantes e sonhador quanto todos poderemos ser. "Serei real?", questiona-se a Johny Deep aquando da tentativa de acreditar que tudo é um sonho por parte de Alice.


A história podemo-la tirar não tanto a ferros mas em análise mais profunda: "todas as pesssoas boas são loucas". De uma loucura que as transcende de realidade e leva ao mundo das maravilhas. A farsa, o ambiente que envolve a Rainha Vermelha é também algo a retirar - "mais vale ser temida do que ser amada" - constata a autoritária personagem que passa metade do filme a ordenar "cortem-lhe a cabeça!". Os outros, que a rodeiam, são o rosto do mundo do faz de conta, do agradar por agradar, o bajular por bajular. Aqui entro em acção na minha crítica à moralidade que poderia existir neste filme. Ao de cima vem o valor da sinceridade e inteiro que cada um de nós deve ser e ter, de autenticidades, sem narizes postiços, barrigas falsas ou orelhas a fingir. A Rainha Vermelha, pequena e cabeçuda, apercebe-se do mundo que criou com a própria nega do seu mais que tudo cavaleiro, que a tenta matar bem no finzinho do filme. Atónita é levada para fora do País das Maravilhas e resignada à solidão.


No fim, Alice volta ao que sempre foi, agarra o seu poder de decisão por entidade própria. Salva a situação e volta à realidade. Não casa como costume que lhe querem impor. Parte antes à descoberta. Não sei, não tanto de um novo País das Maravilhas, mas de um mundo ainda por descobrir, sem coelhos de relógio ou lagartas azuis. Sem chá desconcertado, personagens encartadas e de tabuleiro axadrezado. Sem monstro com nome esquisito e gato de riscas enigmático. Essas personagens já eram suas, de sonho tocado e real.


O filme foi isto, perto de duas horas de vegetal constatação que desta vez Tim Burton não se transcendeu a si próprio. Só apanhou boleia no imaginário a que estamos habituados. Mas isto é a minha opinião. Agri-doce.


O 3D não me fascina. Foi a primeira experiência nesta modalidade de óculos engraçados. Não preciso de ter as personagens "em cima de mim", tocar na acção da película nem quase entrar no enredo apresentado. Serei única a pensar assim? Ora, pelo menos trouxe uma recordação, para além do simples bilhete. Pelo menos, vale-nos isso.

 

historiado por vanessaquiterio às 21:12
tags:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.


subscrever feeds
subscrever feeds
Vanessa Quitério
pesquisar
 
blogs SAPO